A casa, até hoje, sempre foi a minha procura - creio que é um enigma que me define.
É o motor do meu desenvolvimento, do meu interesse e da minha investigação nas artes plásticas.
Através da casa tento conhecer-me e expressar-me. Reflectir sobre as relações de poder que lhe são intrínsecas e a sua influência na construção da identidade e na minha identidade.
É um trabalho egoísta, focado no meu interesse, nas minhas descobertas, nas experiencias que falharam, nas alegrias que se concretizaram, nos medos e nas procuras inerentes a um corpo de mulher e ao seu papel social, numa luta contra os padrões estereotipados pela sociedade.
São como páginas de um diário. São gritos que não se calaram. Foram medos que não sufocaram.
Uns ganharam forma, outros imprimem o que são.
É na madeira que tudo ganha forma e por meio da talha, com uma austeridade cromática, as formas que evocam arquitecturas e espaços imaginários enchem-se de realizações de cor e de linhas estruturais que organizam o espaço e a composição dos pensamentos.
A casa é o abrigo para os devaneios. Uma fonte de liberdade.
Em certas circunstancia, o ninho enclausurado. O espaço que mutila.
Tudo depende daquilo que sentimos, como nos vemos ou o que pensamos.
Ela é o que nós somos.
lo he entendido casi todo! Un texto precioso sobre ti y sobre tu obra :)
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